Lula, candidatos ao Planalto e deputados torcem pela seleção
LULA TOCA a vuvuzela, ao lado de dona Marisa: depois de um jogo travado no primeiro tempo, torcida para que o time deslanche
Depois de sancionar o reajuste de 7,7% para aposentados que ganham acima do mínimo, o presidente Lula assistiu à estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo no Alvorada, acompanhado de cinco ministros. Como a maioria dos brasileiros, Lula achou que o time de Dunga pode melhorar. E posou para foto com uma vuvuzela.
No Alvorada, Lula - segundo o ministro Paulo Bernardo - achou o jogo muito travado no primeiro tempo. No segundo, considerou que houve melhora do time, mas que é possível deslanchar nas próximas partidas. Lula e os cinco ministros acreditam que a seleção tem que jogar melhor contra Costa do Marfim, no domingo.
No Congresso, um grupo de 15 deputados assistiu ao jogo no cafezinho do plenário. Entre eles, Paulo Maluf, que ganhou R$400 em um dos dois bolões do grupo. Maluf não acertou o placar, mas teve sorte ao tirar o papelzinho com o número do jogador que fez o primeiro gol da partida - 2 é o número da camisa de Maicon, autor do primeiro gol da partida.
- Eu tirei o 2. Até quis trocar, mas não deixaram - contou Maluf.
Os deputados apostaram R$50 em cada bolão. No bolão sobre o placar, Hugo Leal (PSC-RJ) acertou o 2 a 1, mas levou R$450, em vez de R$500. O organizador do bolão, o líder do PTB Jovair Arantes (PTB-GO), cobrou comissão pelo serviço e ficou com R$50. Jovair justificou:
- É o pagamento da banca.
Hugo Leal reagiu brincando:
- Vou ter que acionar para receber o restante. Vou usar o dinheiro para fazer minha campanha.
Vestida com camisa da seleção, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, escolheu um reduto tradicional e ruidoso da comunidade brasileira em Paris para assistir à estreia do Brasil: o "Cabaret Sauvage", cabaré selvagem, espécie de Circo Voador da capital francesa.
Quem imaginava uma típica torcedora brasileira, decepcionou-se: Dilma não soltou berros ou fez gestos bruscos. Acompanhava comportada, bebendo água, o ziguezague dos jogadores, mexendo a cabeça. Um brasileiro ainda ensaiou um coro "Dilma, presidente, presidente!", mas não pegou: o público que fazia farra em pé perto do telão mal notou a presença dela.
Dilma estava ao lado do secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo, e do gaúcho Eduardo Cypel, primeiro brasileiro eleito conselheiro regional da Ile-de-France (equivalente a deputado estadual da região de Paris) do Partido Socialista - o maior de oposição na França. Com o jogo se arrastando em 0 a 0, evitou análises.
- Não sou comentarista de futebol - disse ela.
Quem estava ao lado percebia que estava angustiada. Algumas vezes pôs as mãos no rosto. Quando Maicon fez o primeiro gol do Brasil, enquanto a mesa explodia, a candidata comemorou de forma contida. Via-se no seu rosto uma ponta de decepção quando a Coreia fez o gol, estragando o placar que Dilma havia apostado - "1 a 0 ou 2 a 0". Mas ela saiu feliz :
- Ganhar é ganhar. A gente queria ganhar de dois a zero. Já estaria bom, mas infelizmente levamos aquele gol. Em todas as coisas, o que importa é que você ganhe e ganhe bem. O Brasil jogou respeitando os seus adversários.
Já o candidato do PSDB a presidente, José Serra, assistiu à estreia do Brasil na Plataforma, restaurante no Leblon, Zona Sul do Rio. Acompanhado por colegas de partido, foi recebido pela presidente do Flamengo, a vereadora tucana Patrícia Amorim. Serra pediu dribles para furar a retranca norte-coreana. Queria que o lateral Daniel Alves entrasse logo no gramado, o que só ocorreu no segundo tempo.
Márcio Fortes, correligionário de Serra e provável vice na chapa de Fernando Gabeira para o governo do estado, disse que chamou todo mundo do DEM, principal aliado nacional do partido, para ver o jogo. Mas o único demista da mesa era o deputado federal Índio da Costa. O ex-prefeito Cesar Maia não foi. Por convicção pessoal, explicou Fortes, Maia disse que futebol e política não se misturam. "Desejo sorte a vocês. Vai que o Brasil perde...", foi a mensagem do ex-prefeito que Fortes reproduziu para a mesa.
A primeira mudança no semblante compenetrado de Serra veio aos 34 minutos do primeiro tempo, quando reclamou de uma marcação do juiz.
- O 2 a 1 não refletiu a superioridade do Brasil. Jogou bem, tranquilo, está aquecendo os motores. É o começo, está muito bom. O Maicon fez um gol que vai virar clássico. A gente vai se lembrar sempre - disse Serra.
Ele fez questão de não falar de política. Gripado, comeu apenas no segundo tempo, depois dos gols do Brasil. Ganhou duas camisas do Flamengo de Patrícia Amorim, mas não as vestiu. Palmeirense, o tucano gostou mesmo da contratação do técnico Luiz Felipe Scolari para o time paulista.
- Preferia que ele tivesse ido para o Flamengo - respondeu a presidente rubro-negra.
Serra retrucou em clima de confraternização.
- Mas o Flamengo já nos levou o Vágner Love - disse.
Gripada, a candidata do PV ao Planalto, Marina Silva, assistiu ao jogo num hotel em São Paulo. Postou alguns comentários e conversou com tuiteiros: "Antes [do primeiro gol] eu mal respirava!", escreveu. Também mandou uma mensagem para seus parentes, torcedores do Santos: "Seu Paulo, Fabio, Moara e Mayara, Dona Neide: a Vila Belmiro faz a diferença com Robinho e Elano". Ao final, ponderou: "Para começo de conversa, está bom. Firmes na torcida, inclusive para melhorar!" |