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PIB amplia pressão por alta de juros

sexta-feira, 12 de março de 2010 - Clipping

Autor(es): Agencia O Globo/Ronaldo D’Ercole e Henrique Gomes Batista
O Globo - 12/03/2010
 

A confirmação, pelos números do PIB divulgados ontem, de que a economia brasileira cresce a um ritmo muito forte desde o fim de 2009 reforçou a convicção dos economistas de que um novo ciclo de alta na taxa de juros referenciais (a Selic) é iminente.

O que divide os analistas são os 45 dias que separam a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana e a que acontece no final de abril.

Aurélio Bicalho, economista do Itaú-Unibanco, está entre os que apostam que o BC dará a partida no aperto monetário imediatamente. Embora a inflação nos primeiros meses do ano tenha sido pressionada por “fatores transitórios”, ele entende que a economia virou o ano muito forte e o fim dos estímulos fiscais (a eletrodomésticos e automóveis) não é suficiente para desacelerar a atividade.

— Nossa avaliação é de que esse ritmo (2% no último trimestre) é muito forte e, com o estreitamento entre oferta e demanda na economia (hiato do produto), os riscos de pressão inflacionária crescem muito se não se começar a retirar os estímulos monetários imediatamente — diz Bicalho.

Mesmo projetando uma expansão de 7% do PIB neste primeiro trimestre, e manutenção da economia aquecida nos dois trimestres seguintes, Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, acredita que o BC deve esperar até abril para elevar a Selic. Mesmo com o núcleo da inflação medida pelo IPCA já na casa de 5% em 12 meses.

— O BC está contra a parede, mas deve esperar porque até lá terá todas as informações sobre o primeiro trimestre, principalmente dos efeitos da demanda sobre a inflação — disse Vale.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirma que não há nenhuma justificativa para uma elevação de juros. Segundo ele, a indústria está, de modo geral, com uma utilização da capacidade instalada três pontos percentuais baixo que a registrada em setembro de 2008, antes da crise: — Não batemos no teto da capacidade, podemos crescer sem inflação. O investimento estava muito forte em 2008 e estão sendo retomados rapidamente — disse, lembrando que o crescimento do investimento no período foi de quase 30%, na taxa anualizada.

Ele afirma que muitos economistas utilizaram o dado do crescimento do PIB de 8,2% de forma anualizada (na comparação do resultado do quarto trimestre sobre o período anterior) para justificar a defesa de aumento dos juros, pois, do contrário, estaríamos tendo um crescimento chinês sem capacidade para tal. Em sua opinião, isso não é verdade: — A economia é como uma mola, ela estava muito pressionada.

Quando livre, sobe com muita velocidade, mas com o passar do tempo a velocidade vai sendo controlada.

Já o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, mesmo descartando pressão inflacionária na indústria — segundo ele, os números do quarto trimestre demonstram que os investimentos estão sendo feitos no momento certo —, teme pelo gargalo na infraestrutura do país.

— Nós ampliamos a nossa previsão de crescimento do PIB em 2010 de 5% para 6%, o que aumenta a necessidade de investimento em infraestrutura, do contrário teremos gargalos importantes em portos, estradas, ferrovias e aeroportos — disse, lembrando que a situação é mais grave pois muitos dos investimentos do setor estão com problemas, alguns por depender de orçamento público e outros por questões ambientais ou burocráticas.

 

 


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Notícia cortesia Assessoria de Comunicação Social (ASCOM) do Ministério do Planejamento do Brasil

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