
Para uma união de esquerdas é indispensável que se faça uma chapa plural – ou seja, uma composição em que todos os principais partidos envolvidos tenham ao menos um cargo majoritário. Na prática, significa que o PT não pode exigir dois desses cargos, como vem fazendo hoje. Essa é a posição do líder do PSB na Câmara dos Deputados, Rodrigo Rollemberg (foto). Seu partido, evidente, cobra um dos postos, preferencialmente o de governador ou uma das
vagas de senador.
ALTERNATIVAS PARA A CHAPA
Rollemberg já foi uma vez candidato a governador, em 2002, quando ajudou a levar Joaquim Roriz para o segundo turno – contra o atual deputado Geraldo Magela, hoje indicado pelo PT para uma das vagas majoritárias. "Daquela vez", admite Rollemberg, "foi uma decisão pessoal, efeito inclusive da pressão
feita pelo presidenciável Anthony Garotinho, que precisava de um palanque em Brasília. Agora, o jogo é outro. Não só o partido como seus eleitores vêm cobrando uma nova candidatura. O PSB pode, nesse rumo, pleitear o Senado, senão o governo, embora Rollemberg reconheça que já estão colocdos nomes com legitimidade para isso.
FANTASIA
Em tempo: Rodrigo Rollemberg manteve conversações com o ex-governador Joaquim Roriz no mês passado, mas não voltou a se encontrar com ele antes de sua viagem à Europa e aos Estados Unidos. Ele diz que é "pura fantasia" a idéia de uma chapa em que seria candidato a governador com a deputada Jaqueline Roriz como vice.
PPS NEGOCIA ALIANÇAS
O presidente regional do PPS, Cláudio Abrantes (foto), assumiu há menos de duas semanas mas já tem um objetivo imediato. Quer iniciar as conversações para a formação de coalizões partidárias para as eleições deste ano. Revela que tem duas preferências: quer iniciar as negociações com PDT e PSB.
COMPLICADOR
As negociações de Abrantes já se iniciam com um complicador. Os três partidos têm candidatos preferenciais a deputado federal. O PDT quer eleger José Antônio Reguffe. Rodrigo Rollemberg, do PSB, e Augusto Carvalho, do PPS, são candidatos naturais à reeleição. A encrenca está em que dificilmente a aliança terá votos suficientes para eleger três deputados federais.
ABERRAÇÃO E MEMÓRIA
Escreve o leitor Adamastor Corrêa, residente no Lago Sul. Quer manifestar seu apoio à nota em que se lembrava da aberração representada pelo monte de entulho que, instalada na QL 14, até hoje agride os moradores do bairro. Diz Adamastor que gostou da recordação, pois ele mesmo sempre se lembra do autor da monstruosidade, Dickran Berberian. Todas as manhãs, sempre que passa por lá. Não exatamente para lhe pedir as bênçãos do céu.
BARRACO DESFEITO
O que as autoridades não fizeram, a natureza fez. As chuvas do final de semana, acompanhadas por ventos fortes, desmontaram parte das barracas montadas por pretensos índios diante do Ministério da Justiça, em um protesto contra a reestruturação da Funai. Surpresa: não tinha nada, nem ninguém dentro. Fica apenas o mistério sobre as razões que impediram de se retirar a aberração que enfeiava o mais importante espaço cívico do país se não abrigava coisa alguma.
LEQUE PARTIDÁRIO
O deputado Laerte Bessa passou a apostar em um bom desempenho eleitoral da chapa do PSC nas eleições proporcionais, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Câmara Legislativa. Até a crise desencadeada pelas investigações da Polícia Federal, estava complicado para os rorizistas conseguirem o quociente eleitoral.
Afinal, o PSC concorreria praticamente sozinho, enquanto o DEM serviria de pólo para uma coligação ampla.
A própria reeleição de Bessa estaria ameaçada, até por falta de companheiros de chapa. O quadro, diz o deputado, mudou. Ele já conta com uma coligação
bem mais forte, englobando não só o PSC, mas também o PSDB – que assim asseguraria um palanque para o governador José Serra – e uma fieira de partidos menores, caso do PMN.
TRÊS OPÇÕES
Bessa acredita que o DEM manterá, apesar do desmanche, uma candidatura a governador e uma aliança para disputar as eleições proporcionais. "Assim,
haverá três coligações: a do PT, a nossa e a do DEM", diz o deputado. Pelo jeito, ele não acredita muito em uma segunda coligação das esquerdas.